sexta-feira, 4 de março de 2016

Registro do Ofício de Bordadeiras e Rendeiras em Ouro Preto

Na reunião do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural de Ouro Preto (COMPATRI), realizada no último dia 3 de fevereiro foi a aberto o processo de registro o oficio de bordadeiras e rendeiras como patrimônio cultural imaterial de Ouro Preto.

A reunião contou com ampla presença de praticantes do ofício em Ouro Preto, como membros dos grupos: Associação de Arte, Artesanato, Cultura e Ofício do Bairro São Cristóvão (AACO); Colcha de Versos; Mulheres de Fibra; Associação das Senhoras Artesãs (ASA); Arte, Mãos e Flores.

O processo de registro foi motivado por uma solicitação feita pela AACO para a inscrição do “Artesanato em Renda Marafunda e outros bordados” no Livro de Registro de Saberes e Celebrações de Ouro Preto. A AACO tem se destacado no município por suas atividades no conhecimento, revitalização e difusão da renda marafunda em Ouro Preto.
 
Reunião do COMPATRI com presença de bordadeiras e rendeiras de Ouro Preto - 03/02/2016 - Foto: João Paulo Martins

Reunião do COMPATRI com presença de bordadeiras e rendeiras de Ouro Preto - 03/02/2016 - Foto: João Paulo Martins

Importante ressaltar o fato deste ser o primeiro processo de registro de patrimônio imaterial proposto junto ao COMPATRI motivado por uma solicitação dos próprios agentes/detentores de um bem. O primeiro processo de registro realizado na esfera municipal em Ouro Preto foi concluído em 2008 (Produção de doces artesanais de São Bartolomeu), desde então houve mais três registros nesses últimos 8 anos. É visível como nesse processo houve avanço no entendimento da ferramenta legal, seu reconhecimento, difusão e salvaguarda por parte dos grupos envolvidos nas mais diversas manifestações culturais sob a perspectiva do patrimônio imaterial. O pedido feito pelos agentes torna esse processo ainda mais significativo na apropriação dos instrumentos legais e empoderamento de detentores de um bem de cultura popular, sendo positivo, ademais, que este aspecto receba boa divulgação.

Em 2013, como parte do Inventário de Proteção do Acervo Cultural (IPAC), a Prefeitura de Ouro Preto, através do Programa Municipal de Patrimônio Imaterial realizou fichas de inventário relativas a ofícios e saberes do município, sendo contemplados nesse inventário o ofício de bordadeiras e saber-fazer da renda marafunda. Já nesse momento, o inventário cumpria seu papel de reconhecimento de bens culturais no município e acreditamos que tenha sido também um passo no processo de apropriação do instrumento do registro por parte dos agentes/detentores do bem em questão para a solicitação do seu reconhecimento e inscrição em livro de registro do patrimônio imaterial de Ouro Preto. 

Conforme a tramitação desse tipo de solicitação, o pedido foi encaminhado para a realização de um estudo preliminar junto ao PROPAT (Supervisão de Proteção e Pesquisa do Patrimônio Cultural e Natural). O estudo reconheceu a importância do bem alterando sua categoria de saber para ofício, expandindo assim o seu reconhecimento para outras praticantes, linguagens e formas que o saber encontra em nosso município. O estudo preliminar apresentado pode ser acessado aqui.


A continuidade do processo foi aprovada por unanimidade pelos conselheiros e foram informadas as etapas seguintes para a montagem do dossiê e finalmente o reconhecimento do ofício como patrimônio cultural imaterial de Ouro Preto. Dentre essas etapas destacam-se os levantamentos de campo que pretendem identificar de forma exaustiva grupos, associações, coletivos e praticantes autônomos do ofício; descrição de suas linguagens, técnicas, formas e materiais; espaços e formas de transmissão do saber; e, por fim a elaboração, junto aos agentes do bem cultural de estratégias de salvaguarda para o ofício.



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